quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Sinestesia

Como pode um cheiro me fazer relembrar algo?Como pode uma música desenhar em minha mente a imagem de uma pessoa, e me arrancar o choro? Diante desses pensamentos, parei ontem a noite para refletir e, principalmente para sentir a  riqueza sensorial.
Ontem à noite, como de costume, fui ouvir um pouco de música antes de dormir. Peguei um desses aparelhos da "modernidade tecnológica"(o MP alguma coisa,acho que era o 3), conectei em uma rádio local e comecei a ouvir. Passaram alguns minutos e tocou uma música que sempre me faz lembrar uma pessoa maravilhosa, que tive o prazer de conhecer,mas que teve que se desligar do mundo material . Imediatamente comecei a lembrar dela, me veio lágrimas nos olhos, e na minha mente um filme passava,me trazendo de volta a sua imagem.
Passado esse momento de lembrança e saudade, ficaram as indagações sobre essas coisas que as vezes nos pega, mas que na maioria das vezes deixamos passar mais uma vez, como se nada significasse.
Futucando algumas coisas na minha cabeça, me lembrei de Baudelaire/Correspondências.

Correspondências


A natureza é um templo onde vivos pilares
Deixam filtrar não raro insólitos enredos;
O homem o cruza em meio a um bosque de segredos
Que ali o espreitam com seus olhos familiares.
Como ecos longos que à distância se matizam
Numa vertiginosa e lúgubre unidade,
Tão vasta quanto a noite e quanto a claridade,
Os sons, as cores e os perfumes se harmonizam.
Há aromas frescos como a carne dos infantes,
Doces como o oboé, verdes como a campina,
E outros, já dissolutos, ricos e triunfantes,
Com a fluidez daquilo que jamais termina,
Como o almíscar, o incenso e as resinas do Oriente,
Que a glória exaltam dos sentidos e da mente.

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